Terça-feira, Novembro 24, 2009

Livro De Instruções E Manobras Para Escolher A Escola Dos Filhos

"Alugam casas por semanas, simulam divórcios, pedem à avó que fique como encarregada de educação. São várias as manobras a que os pais recorrem para matricular os filhos numa escola que não a da respectiva área de residência"
"Em Portugal, há anos que as histórias de pais que forjam moradas para conseguir que os filhos entrem na escola da sua preferência circulam nos corredores dos estabelecimentos de ensino de todo o país. Muitas vezes com a cumplicidade da própria escola"

Ver o resto das manobras neste excelente texto de Natália Faria.
Este é o verdadeiro retrato da "Escola Pública" portuguesa. Um Escola para os mais poderosos e para os que têm "conhecimentos". Uma Escola da "cunha", das "manobras", da mentira e da falsificação.
Uma Escola que, desde petizes, nos ensina as regras da segregação social. Neste caso, segrega-se consoante a rua e o nº da porta.
E o Estado português, ao invés de dar liberdade aos pais para escolherem a escola dos filhos - única medida que favoreceria a igualdade, promoveria a liberdade e a melhoria do serviço público de educação - deu-nos um Valter "Excesso de Faltas" Lemos que seguiu o único caminho que sabe seguir: em noite de diarreia obrou mais um despacho contra a sociedade aberta.
Já não é apenas a morada a impor a escola que as crianças devem frequentar. São mais 7 as normas que os pais - mais ricos e mais "informados" - podem utilizar para ludibriar o Estado e fazer pouco da sociedade. (E, cara Natália Faria, estas normazinhas não se aplicam apenas aos alunos do ensino básico. Também se aplicam aos do secundário).
E porque não podia faltar, o amigo Alvino também largou uma ventosidade:

"O problema está diagnosticado mas tem os danos controlados. Antes do despacho, predominavam as cunhas", relativiza Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap).

Ó Vino num nos inganes: antes do despacho não eram necessárias tantas cunhas.
Por falar em cunhas, Vino, queria ler a tua "agenda parental" mas faltam-lhe algumas páginas (como sabes, ainda não colocam papel higiénico nos WC públicos). Será que me podes oferecer uma cópia. Obrigado.

Reitor

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Obviamente

"Com esta sua atitude, o PSD preservou intocável o discurso demagógico e mistificador do PS (recusado por mais de 100 mil professores e a quem o mesmo irrita particularmente), conferindo um novo ânimo ao PS para continuar a repetir que o ciclo chegou, normalmente, ao fim, que foi positivo, que se fizeram muitas aprendizagens e que é necessário aproveitar o trabalho que foi empreendido nas escolas". Octávio Gonçalves. Ler mais aqui


Reitor

Domingo, Novembro 22, 2009

A Namorada Do Sócrates Não Quer Que Se Diga Que É Namorada Dele

A Fernanda recorreu para a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas e para o Conselho Deontológico do Sindicato. Está indignada por não lhe terem dado razão na causa.
Temo que a seguir vá para o Supremo...
Está fula por a identificarem como a "namorada do Sócrates".
Compreendo bem as angustias e constrangimentos que a jornalista Fernanda "Namorada do Outro" Câncio sente e vive.
E compreendo que não queira ser associada ao ingº Sócrates.
A minha vizinha tem um filho, o João, de 7 anos e tem o marido numa Casa de Reclusão aqui perto. Constrangida com a situação pediu aos vizinhos todos para não dizerem aos filhos quem era o marido dela. Para que o João não sinta qualquer estigma na escola. Todos acedemos ao pedido e o pai do João está a trabalhar na Suíça...

Tal como a Fernanda, também acho que a Comissão de Carteira e o Conselho Deontológico querem é "...conhecer, a par e passo, as vicissitudes da [sua] vida amorosa, mascarando esse voyeurismo com preocupações deontológicas". Todos querem o mesmo.

Claro que se pode defender a tese de que a Fernanda "Namorada do Outro" Câncio está é a pôr-se em bicos de pés. E a armar-se por ter um Primeiro-Ministro inginheiro que lhe pegou.
Mas não creio que seja isso.

Reitor

Cozinhando Uma Moção

Sócrates pondera apresentar moção de confiança no Parlamento

Para tentar limpar-se da lama que o "Face Oculta" todos os dias lança sobre si.
Para encostar a oposição à parede e impedir que o quimem em lume brando durante os próximos meses.

Reitor

Se O Ridículo Matasse

Um destes dias estaríamos de gravata preta a prestar homenagem à Dra. Maria da Graça Moura, que Deus a tenha por muitos anos.



Uma directora de escola lembrar-se de publicar no DR um despacho a delegar competências nos DTs...para aplicarem "procedimentos"! Que mais irá acontecer?
Este despacho tem a sua origem numa moda que medra nas escolas por estes dias. Uma espécie de clube escolar: "Eu-gosto-de-ver-o-meu-nome-no-Diário-da-República" que ainda há-de dar muito que falar.
Mas, vamos ao despachozinho. Cada frase é uma pérola.
A primeira cavadela traçou a minhoca ao meio: cita-se o n.º 1 do art.º 52.º da Lei nº 3/2008 de 18 de Janeiro quando, a referida Lei tem, apenas, 5 artigos e não 52.
A segunda cavadela caiu no mesmo sítio e, mais uma minhoca: a delegação de competências devia escorar-se no RI e não na Lei n.º 3/2008, como prevê expressamente o n.º 1 do art.º 52.º da Lei nº 30/2002 de 20 de Dezembro, com a redacção dada pela Lei nº 3/2008 de 18 de Janeiro.
A terceira minhoca aparece logo a seguir: com que então a directora delega todas as competências... Todas de quem? Apenas as dela. Ou também as competências disciplinares que são exclusivas dos professores?
À quarta cavadela, minhoca novamente: a delegação de competências é feita nos DTs, mas a Lei que é citada prevê a delegação apenas nos "restantes membros do órgão de gestão - vá lá saber-se o que isso é - e no "Conselho de Turma". Não está previsto que as competências da directora possam ser "delegadas" na DT.
A quinta minhoca sai com a data de início do mandato delegado: desde a "colocação" e até final do ano escolar. Desde a colocação? Onde? em Diário da República?
Isto está a começar bem...
E, por estarmos a falar do Estatuto do Aluno, há uma coisa que muito me preocupa e que, por si só, define o estado a que chegamos na Educação: Será que o cidadãos portugueses sabem qual é a tarefa mais importante, ou uma das mais importantes, que os professores têm de realizar nas escolas?
Penso que não sabem. Eu designo-a por "Audição dos Cachopos".
Merecerá um postezito mais adiante.
Reitor

Sábado, Novembro 21, 2009

O General Anda Exultante

Este e este postes são exemplo disso.
Fico contente por ele. Afinal, não é todos os dias que vemos professores felizes. E há muito que não víamos tantos felizes da vida.
A alegria do Paulo é tão contagiante que ele até acha, vejam lá, que o professores foram duas vezes a Lisboa por causa da revisão do ECD e da divisão da carreira. Tss. Tss.
Fico sem saber se o devo deixar na felicidade dos ignorantes -uma espécie de Pai Natal para os petizes - ou se lhe devo lembrar que o ECD e os titulares apareceram em Janeiro de 2007 e as manifs aconteceram em Março e Novembro de 2008! Espoletadas apenas pela avaliação. Aproveitadas, em bem, para contestar o ECD e os titulares. Acho que o vou deixar na dele.

Parece-me é que os gases, não os da Quimigal, mas os da estrondosa vitória obtida pelo presciente General, lhe estão estão a afectar a moleirinha. A ponto de tresler o que escrevi: não meu caro, nem estou incomodado que os professores progridam, nem os professores vão progredir como nos Açores e na Madeira. Antes fossem.
O que eu escrevi - e o General percebeu bem mas faz-se despercebido - foi outra coisa. O que disse é que se o modelo fosse suspenso, não aconteceria o congelamento da progressão - espantalho cirurgicamente agitado pelo General e pelas suas tropas nos últimos dias - mas sim uma avaliação como na Madeira ou nos Açores. Confuso? eu?

Como sei que você não gosta de poesia mal repassada, hoje deixo-lhe uma reflexão erudita:

"vaidade é um elemento tão subtil da alma humana que a encontramos onde menos se espera: ao lado da bondade, da abnegação, da generosidade!"

Quer-me parecer que o azedume não vem deste lado... E olhe que o vencedor foi você. Alegre-se homem.

Reitor

Boa Sorte Jovens (!)

Ad duo

Reitor

Os Verdadeiros Vencedores

Com a aprovação da Resolução do PSD sobre o ECD e a avaliação dos professores pode-se já olhar para o campo de batalha e ver quem tombou e quem venceu, ainda que com algumas mazelas, a guerra governo-professores.

VENCEDORES
- Ganharam os professores com o fim anunciado da divisão da carreira. O P.S. acabou por votar a favor da resolução e, consequentemente, contra da divisão entre professores titulares e professores.
- Ganhou o P.S. porque não perdeu a face com a embrulhada que havia criado em torno da avaliação e consegue levar até ao fim o objectivo de diferenciar o desempenho dos professores, com base num modelo de avaliação cujos avaliadores não tinham competências para o efeito.
- Aliás, o P.S. vence esta disputa em toda a linha: mantém em vigor um modelo de avaliação declaradamente incapaz e mantém a divisão da carreira por mais uns tempos (ainda não se sabe até quando); mantém as quotas na avaliação dos professores e leva até ao fim - nas consequências e resultados - um dos maiores ataques que se fizeram aos professores portugueses. E tudo isto depois de perder a maioria no Parlamento e de os Partidos da oposição terem assinado declarações de intenção de suspensão da coisa.
- Vence o Governo, Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, não só por terem conseguido levar até ao fim a sua teimosia, mas também porque hão-de poder dizer, sem corar, que o modelo de avaliação deles era o único que conseguia diferenciar o mérito e o desempenho dos professores. Ao contrário do modelo que existia antes e do que veio a existir depois.
- Vencem os sindicatos de professores que, prevendo perder protagonismo na negociação protegeram a lagosta e deixaram o mexilhão à sua sorte. Como sempre, aliás.
- Vence a iniquidade, a ausência de escrúpulos, o ressentimento e a desconfiança que este modelo fez medrar entre os professores e que só uma medida poderia contrariar: A suspensão do modelo e a atribuição administrativa de BOM a todos os professores.
- Vence o Paulo Guinote que ensaiou e defendeu esta solução há cerca de um mês. Curiosamente a mesma solução que o P.S.D. viria a adoptar desde a semana passada... Por mero acaso, certamente.

VENCIDOS
- Perdeu o P.S.D. parte da pouca credibilidade de que já gozava junto dos professores. Não há qualificativo para um partido que coloca no seu programa eleitoral a suspensão do modelo de avaliação, a defende até 15 dias antes da votação e, numa espécie de flic-flac à rectaguarda, cede a outros interesses, não suspende nada e estatela-se ao comprido.
- Perdem as centenas de milhar de docentes que, genuinamente, marcharam em Lisboa contra este modelo de avaliação e viram o mesmo ser certificado por um Partido que, a bem da verdade, nunca soube o que queria.

CÚMULO DA DEMAGOGIA BACOCA
O cúmulo da demagogia e, talvez, a razão que tudo explica, está inteirinho nesta frase do Guinote "...Uma coisa que muita gente não reparou e que podia acontecer é que, se a avaliação fosse suspensa, milhares de professores podiam não progredir na carreira". Pois. Como vai acontecer na Madeira e nos Açores...
Alguém lhe lembre, porque não se trata de falta de inteligência, que o Parlamento legisla e as leis servem para isso mesmo: para fazer lei.

Reitor

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

O Deslumbramento Dos Boys De Guterres

José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado – a CGD –, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.
Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país

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Reitor

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Cumprir As Promessas

No Teacher Should Progress At The Expense Of Colleagues


Neste momento é apenas esta a questão.
Espero que os deputados da nação o compreendam.

Reitor

Os Papagaios da Milú

Os directores completamente adesivados e mais papistas que o papa receberam ontem uma triste notícia: têm de avaliar todos os professores que entregaram o papel. Mesmo aqueles a quem tinham negado a avaliação, com base, vejam lá, em esclarecimentos do M.E.

Adenda: Chegam-me notícias que dizem que os mais adesivados dos adesivados estão a impedir os professores de apresentar, ainda, a FAA. Tomem nota do que vos digo: os Directorzecos vão ter de aceitar a FAA mesmo que os professores a entreguem até final deste mês. E têm de os avaliar.

Para eles, uma poema do grande Bocage:

Veio Muley — Achmet marroquino
Com duros trigos entulhar Lisboa;
Pagava bem, não houve moça boa
Que não provasse o casco adamantino:

Passou a um seminário feminino,
Dos que mais bem providos se apregoa,
Onde a um frade bem fornida ilhoa
Dava d'esmola cada dia um pino:

Tinha o mouro fodido largamente,
E já bazofiando com desdouro
Tratava a nação lusa d'impotente:

Entra o frade, e ao ouvi-lo, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triunfo acabou no cu do mouro.

Reitor

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Suspenda-se a Guerra! O General Disse.

Por que razão devem ser avaliados os professores que não entregaram OIs?
Por que razão devem ser avaliados os professores que não entregaram FAA?
Por que razão devem ser avaliados os professores que entregaram OIs depois de terminadas as aulas?
Por que razão se pode avaliar um professor que entregou um relatório de 30 páginas e não a FAA, nos termos e formas legais?
E por que se hão-de avaliar aqueles que não entregaram nada?
E aqueles que entregaram uma espécie de manifesto contra o modelo de ADD, em substituição da FAA?
Por que razão se hão-de avaliar professores que não procederam como a lei dispunha?

Porque o General disse.
Porque, mesmo que o General não o tivesse dito, o modelo de ADD era tão fraco, tão rebuscado, tão inexequível, tão arbitrário que se percebeu logo, 1h após a sua publicação, que não era para ser levado a sério.
Que era impossível de aplicar nas escolas portuguesas, nos prazos previstos, com os procedimentos estabelecidos e com o know how existente.
Que a avaliação - se viesse a ser feita - nunca poderia prejudicar nem beneficiar nenhum professor relativamente aos demais.

Mas, se o modelo era injusto, se era inexequível, se foi sempre um monumento à estupidez (ouvi a ministra admitir na RTP1 que os avaliadores não eram competentes....)
Se era assim tão mau...
Por que se deve repudiá-lo, apenas, na parte que prejudica a maioria dos professores e não na parte que beneficia alguns - em prejuízo óbvio da maioria?
Por que devemos aceitar que se apliquem os artigos 1º, 3º e 5º e não os 2º, 4º e 6º?
Porque os profs estão cansados.
Porque não se pode querer esmagar o inimigo.
Porque é preciso saber fazer a paz.
Porque o General disse.

O problema é que o General tem muitos soldados.
O problema é que a sua voz é respeitada.
O problema é que a sua voz é ouvida.
Mesmo quando marcha para o precipício, como por vezes acontece até aos bons generais e aconteceu ao George A. Custer.

Fico-me por aqui. As avaliações de "mérito" não merecem mais cera.

Reitor

Do Lombo Ao Vazio ...Com Um Sorriso

Isabel Alçada admite que haverá um novo modelo de avaliação e um novo estatuto, mas frisou que optou por não suspender o que está em vigor para não haver «um vazio legal»

Ao ouvir a Isabel "Sorrisos" falar de "Vazio Legal" lembrei-me logo do danado do bife que mastiguei ontem ao jantar. Irra que era duro de roer.
E lembrei-me também de outros "vazios recentes". Daquele vazio de Setembro de 2005 a Janeiro de 2008. Um deserto, uma secura nunca vista.

Lei nº 43/2005, de 29 de Agosto
Não contagem do tempo de serviço para efeitos de progressão nas carreiras e congelamento de todos os suplementos remuneratórios dos funcionários, agentes e demais servidores do Estado até 31 de Dezembro de 2006

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

VAZIO LEGAL SOCIALISTA

Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro
Regulamenta o sistema de avaliação de desempenho do pessoal docente.


Ora aqui está (esteve) um autêntico "Vazio Legal". Socialista e de má memória.

Reitor

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Portugal, o Estado de Direito, e as Inginharias Semânticas

aqui disse que aqueles que querem fazer do ingº um "inocente a toda a força", são os mesmos que destroem as provas que o poderiam afastar de um dos maiores cenários de vigarice de que há memória no país. Com amigos destes, o ingº não precisa de inimigos....

Agora veio um tal de João Miranda pôr em dúvida que Portugal, o nosso amado Portugal, seja um Estado de Direito, esquecendo que só assim escreve porque os democratas que governam o país lhe concedem a liberdade de expressão. Um ingrato é o que ele é.

O Manuel António Pina, no JN, também na mesma linha, veio fazer um descabelado ataque à democracia e ao Estado de Direito, vituperando as palavras sensatas do avô Soares.

".. Um assunto que envolva, como o presente caso, corrupção, tráfico de influências, manipulação de concursos públicos envolvendo trocas de dinheiro e de favores entre gestores de nomeação política e empresários "amigos", e até alegações, sustentadas no despacho de um juiz, de crime de atentado ao Estado de Direito, tornou-se de facto hoje, em Portugal, coisa politicamente "comezinha", "trivial" e "vulgar". Custa a crer é que alguém como Mário Soares, que tão repetidamente convoca a "ética republicana", reconheça isso sem o mínimo sobressalto ético ou republicano"

Até se atreveu a sugerir que o ingº teria sido indiciado de cometer um crime de "atentado ao Estado de Direito"! Ó Pina. Podias ser mais respeitador das instituições. Será que não vês que há, na tua sugestão, um óbvio paradoxo e uma impossibilidade material: como pode o ingº socrates - ele próprio o estado; ele próprio o direito - atentar contra si mesmo? A chuva molhou-te a mioleira.

Reitor

Hoje Estou Virado Para a Poesia. Apetece-me.


Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo ...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ...
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas

Reitor